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Artesanato em cerâmica aproveitando motivos arqueológicos

Cerâmica de Marajó

            A maior parte dos achados arqueológicos da Amazônia representam um desenvolvimento estilístico e uma técnica decorativa superior, fazendo-se crer que essas culturas não surgiram e se desenvolveram no local, mas foram originários de outras áreas.

 A civilização Marajó não deixou para a posteridade cidades e obras de arquitetura, porém legou uma cerâmica pela qual pode ser reconstituída toda a sua história.

 A antiga Zona Fisiográfica de Marajó e Ilhas presentemente compreende duas Micro-Regiões Homogêneas —  Campos de Marajó e Furos — num total de 16 municípios, tendo uma área de 141.040 Km² — equiparando-se as áreas da Bélgica e da Áustria, juntas — está situada na foz do rio Amazonas entre o Território Federal do Amapá, o Oceano Atlântico, a Baia de Marajó e o rio Pará.

 “A Ilha de Marajó está dividida em duas áreas fisiográficas naturais: a parte leste compreende uma área de cerac de 23.000 Km² e é constituída por uma grande planície com vegetação tipo savana; e parte oeste, com uma área de 26.000 Km², é recoberta por densas florestas” (1).

 Várias teses tem sido desenvolvidas e definidas com finalidade de determinar as origens da cerâmica de Marajó. Apresentaremos aqui as mais importantes.

 Heloísa Alberto Tôrres, Diretora do Museu Nacional do Rio de Janeiro, na década de 40, defendeu a tese da origem plectogênica dos motivos da cerâmica, achando que a louçaria marajoara evoluiu na própria região e teve como origem a arte do trançado (cestaria).

 Diz a autora: “Jovens oleiros, velhos artistas trançadores, os marajouaras teriam transportado para o elemento plástico os desenhos desenvolvidos na matéria rígida das talas entrelaçadas dos seus cestos”.(2)

 A tese denominada correlações pelo estilo, teve em Nordesnkiöld e em Helen C. Palmatary os seus mais ilustres defensores. Esta tese foi desenvolvida sob duas óticas: a preocupação estética  e o estabelecimento de comparações da cerâmica de Marajó com outras áreas. Devemos a Helen C. Palmatary (3) o mais acurado e extenso estudo tipológico da arte ceramista dos marajoaras, e a determinação de pontos de contato com a América do Sul, as Antilhas, o Panamá, a América Central, a Meso-América e particularmente a região dos mounds ou cemitérios no sul dos Estados Unidos.

 O mais importante estudo com relação a cultura marajoara ocorreu somente 1948, quando os pesquisadores norte-americanos Clifford Evans Jr. E Betty J. Meggers aplicaram o método de estratigrafia arqueológica em Marajó — um dos mais modernos processos de investigação científica dentro da Arqueologia — que estabeleceu fases ceramistas na ilha.

(1)     PARÁ.  Instituto do Desenvolvimento Econômico-Social. “Projeto Marajó; relatório de  andamento 1971/1972 — IDESP/EDR da OEA”.  Belém, IDESP (Estudos Paraenses, 39).

 As fases arqueológicas na Ilha de Marajó foram cinco, que correspondem a diferentes culturas e níveis de ocupação: Ananatuba, Mangueiras, Formiga, Marajoara e Aruã.

 A fase Ananatuba (980 ± 200 a.C.) fax parte da Tradição HachuradaZonada e tem por localização geográfica a “parte norte-central da ilha de Marajó, estendendo-se a sudeste do lago Arari no Rio Câmara” (4). A cerâmica desta fase apresenta-se desenvolvida e tem como características as incisões, hachurado (*) e engobo (**) vermelho, testemunhando que o povo Ananatuba chegou à ilha játrazendo uma cultura evoluída.

 A fase Mangueiras (Contemporânea da fase anterior a partir do terço final da duração desta fase) desenvolveu-se na “parte norte-central da ilha de Marajó e sul da ilha de Caviana”(5); a sua cerâmica é caracterizada dentro da Tradição Borda Incisa e recebeu influências — particularmente no que diz respeito a ornamentação — da fase anterior; as peças de cerâmica eram, na sua maior parte, pequenas tijelas e igaçabas, provavelmente utensílios de cozinha.

 A fase Formiga (A D. 100 a 400) ocupou a “parte norte-central da ilha de Marajó, estendendo-se para o sudeste do lago Arari, cabeceiras dos rios Câmara e Goiapi” (4) e sua cerâmica, de qualidade pobre não apresenta características de modo a ser encaixada em um determinado estilo.

 A fase Marajoara (A D. 480  ± 200, A D. 580 ± 200 e A D. 690 ± 200) representa a época de um povo, que chegou a ilha em todo o seu apogeu, tendo porém decaído gradativamente. Esta fase faz parte da Tradição Policrômica (***) que se caracteriza pela exuberância e variedade da decoração, utilizando pintura vermelha e preta sobre engobo branco. O povo da Fase Marajoara localizou-se numa “área circular, com cerca de 100 Km de diâmetro tendo por centro o lago Arari”(6).

 A fase Aruã (séculoXII a XVIII), na ilha de Marajó ocupou a parte litorânea, de Chaves para lesta até cabo Maguari e em diração sul até a cidade de Soure”(6), estendendo-se também para as Ilhas Mexiana e Caviana, pois quando os europeus atingiram a foz do rio Amazonas, encontraram estas ilhas ocupadas por este povo. A louçaria Aruã não está filiada a nenhuma fase ceramista e é de qualidade bem inferior; somente as igaçabas destinadas a enterramento secundário apresentavam decoração.

                          


Cópia de urna funerária.Tradição Policrômica.Fase Marajoara (Ilha de Marajó).Peça denominada urna Calango com tampa; coloração de barro avermelhado.Altura: 45 cm.
Artesão: Raimundo Saraiva Cardoso.

Cópia de urna funerária.Tradição Policrômica.Fase Marajoara (Ilha de Marajó).Cerâmica de coloração avermelhada.Altura: 36 cm.Artesão: Raimundo Saraiva Cardoso. 


Cópia de urna funerária.Tradição Policrômica.Fase Marajoara (Ilha de Marajó).Cerâmica em cor natural com pintura de tinta extraída do óxido da argila.Altura: 23 cm

Artesão: Francisco Gouveia.

Cópia de urna funerária.Tradição Policrômica.Fase Marajoara (Ilha de Marajó).Cerâmica de cor natural com pintura de tinta extraída do óxido da argila.Tem forma de igaçaba; representação em relevo, de face humana.Altura: 29 cm.
Artesão: Francisco Gouveia.

Cópia de Urna Mão na Boca.Tradição Policrômica.Fase Marajoara (Ilha de Marajó).Tipo Pacoval Inciso.Cerâmica natural com processo de envelhecimento.
Alturas: 20 cm e  39 cm.Artesão: Raimundo Saraiva Cardoso.

Cópia de urna funerária.Tradição Policrômica.Fase Marajoara (Ilha de Marajó).Tipo Joannes Pintado.Pintura em branco, preto e vermelho; laterais em relevo representando estilizações da figura humana.Altura: 50 cm.
Artesão: Raimundo Saraiva Cardoso.

Cópia de vaso.Tradição Policrômica.

Fase Marajoara (Ilha de Marajó).Tipo Joannes Pintado.Peça com desenhos geométricos em branco, creme e preto.Altura: 25 cm.
Artesão: Raimundo Saraiva Cardoso.

Cópias de vasos.Tradição Policrômica.Fase Marajoara (Ilha de Marajó).Peças em cerâmica combinando a técnica indígena com modernos processos ceramistas, obtendo-se uma coloração acobreada e brilhante.Os vasos variam de altura entre 10 a 25 cm.Artesanato dos alunos do Colégio da Prelazia de Ponta de Pedras, Marajó.

 

Cópias de vasos.Tradição Policrômica.Fase Marajoara (Ilha de Marajó).Peças em cerâmica avermelhada, vendo-se no fundo a cor natural do barro; alças laterais em relevo.Alturas: 20, 25 e 23 cm, respectivamente.
Artesãos: Raimundo Saraiva Cardoso e Francisco Gouveia.

  

 


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