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Cerâmica de Maracá

 

Embora a cerâmica de Maracá, tenha o Território Federal do Amapá como ponto de referência, os  achados arqueológicos foram provenientes de grutas ou pequenas cavernas às margens de um afluente do Rio Maracá, que deságua  no braço norte do Rio Amazonas. É  da maior validade, incluí-la num documento sobre Arte Popular do Pará , pois esta cerâmica foi descoberta e estudada por uma expedição paraense chefiada por Domingos Ferreira Pena, em 1872. Além disso, é grande o interesse que os artesãos – ceramistas paraenses demostram pela cerâmica de Maracá, reproduzindo cópias autênticas de peças e também contribuindo com estilizações artísticas individuais com base em motivos desta fase ceramista.

Maracá não faz parte das tradições ceramistas encontradas na  Bacia Amazônica, sendo portanto classificada como fase não filiada.

As urnas funerárias encontradas no vale do Rio Maracá, são de três tipos : tubulares, zoomorfas e antropomorfas. As urnas tubulares têm a forma de cilindro oco, com tampa, e não apresentam motivos decorados; as urnas zoomorfas representam animais quadrúpedes, que, segundo Ferreira Pena são jabotis e tartarugas, e de acordo com Charles F Hartt, essas urnas reproduziam a onça, animal do quadro mitológico indígena.  As urnas antropológicas – tipo encontrado com maior evidência – foram modeladas em forma de corpo humano sentado em bancos ou em animais; Lima Guedes as descreve da seguinte maneira : “O aspecto déssas igaçadas (o autor utiliza essa denominação para urnas) com a competente tampa nos representa um ser humano sentado tendo as mãos apoiadas sôbre os joelhos, com os cotovelos o mais elevado possível, as pernas muito deformadas tendo mais ou menos um terço da altura proporcional e grossura demasiadamente exagerada. N’essas igaçadas o sexo é  determinado pelas artes genitaes competentemente localizadas ”.

Quase todas as urnas  de Maracatá foram encontradas  contendo  fragmentos de ossos, e eram fechadas por finos cordões que enfiados através de orifícios, uniam o corpo da urna com a tampa; a junção era hermeticamentte fechada pela aplicação de uma espécie de cimento . Esses cuidados evidenciavam certamente a preservação dos ossos de qualquer vestígio de ar e de umidade.

 

As urnas funerárias antropormorfas apresentavam pintura e decoração. Ferreira Pena destacava a pintura das faces destas esfinges: “No rosto distingue-se, as vezes, duas cores emblemáticas separadas pela linha naso-perpendicular’; núma face a cor vermelha que é a da realeza, e na  outra  a cor   amarela que é a do sol ”.

Betty J. Meggers estudando a coleção de urnas funerárias do Museu Goeldi verificou que as mesmas foram modeladas com material temperado e tinham a superfície de umm tom de queimado semelhante a um marrom –alaranjado.

As urnas  funerárias de Macapá parecem Ter sido modeladas  contemporaneamente à época da colonização ( séculos  XVI e XVII), pois foram achadas contas de vidro de procedência européia enfeitando uma urna antropomorfa.

Ferreira Pena atribui a cerâmica de Maracá aos Caraíbas. Descrevendo a coleção de urnas traduzidas da sua  expedição  ao Rio Maracá, fala da imponência primitiva destas peças  e as associa à figura dos Caraíbas : “ A cor cúpero-escura, suas formas tubulares,e as cabeças envoltas em toucas ou turbantes, deixando só aparecer o rosto, às vezes bicolorido, fizeram-me recoordar as figuras imponentes dos caraibas, tão belamente descritas por Humboldt, cujos corpos altos, tintos de urucú, meio cobertos até uma das espáduas por um pano azul escuro, assemelhavam-se à estátuas de bronze que se erguiam ao céu no meio das steppes ”.

 

A fase  Maracá pode  ter relações com  culturas  da área andina do Equador, Colômbia e Venezuela, pois nestes sítios também foram encontradas urnas de formas humanas, com a características de serem representadas em bancos.


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