Tangas
As tangas de cerâmica da Ilha de Marajó, são segundo Eduardo Galvão, “as peças definidoras por excelência da fase marajoara, pela exclusividade, originalidade e tratamento decorativo”.
As tangas são uma evidência isolada do contexto cultural de Marajó, não se podendo precisar até hoje se a sua utilização era como ornamento pessoal ou peãs ligadas exclusivamente a cerimônias de natureza religiosa.
A palavra tanga advém de uma moeda asiática; uma “tanga” servia para comprar um pedaço de pano com a finalidade de cobrir as partes íntimas. Em língua aruã a palavra utilizada para designar tanga é babal, que quer dizer avental.
Na Índia a tanga de forma triangular era utilizada como oferenda a lone- Deusa da Maternidade; na Colômbia há notícias de gravuras de tangas rudimentares em oferenda a Banchue, também chamada A Mãe dos Homens.
As tangas de fibras vegetais e de plumas, são encontradas nas diferentes culturas indígenas da América; porém as tangas de barro são artefatos arqueológicos com evidência exclusiva na ilha de Marajó, e têm servido de estudo para pesquisadores através dos tempos, sem se ter chegado a uma teoria definitiva.
Helen C. Palmatary, citando Heloisa Alberto Tôrres, diz que as tangas tem sido encontradas,em alguns casos, atadas às urnas funerárias femininas. Ladislau Neto, segundo Helen C. Palmatary, é de opinião que as tangas de barro estavam ligadas a cultos fálicos e salienta o extremo cuidado do artesão marajoara na fabricação e decoração destas peças.
O italiano Antonio Mordini endossa a teoria de que as tangas eram ornamentos pessoais femininos, comumente usados, pois muitas peças encontradas demonstram as impressões feitas pelo atrito dos cordões por onde as mesmas eram fixadas no corpo.
A tanga de cerâmica encontradas nas escavações arqueológicas em Marajó têm o formato triangular, superfície abaulada, com os lados curvos. Apresenta furos nos vértices, por onde presume-se, eram enfiados finos cordões pelos quais a tanga era suspensa. Foram encontrados dois tipos de tanga, com referência à decoração: “Um, mais simples cujo único tratamento decorativo é um banho ou engobo vermelho, e outro em que predomina a pintura de traços vermelhos sobre fundo branco. Em alguns exemplares aparecem desenhos em preto, ou combinação de preto e vermelho sobre fundo claro. É característica dessa ornamentação, uma faixa do lado superior, com linhas verticais e inclinadas, intercaladas com triângulos sólidos”.
A tanga faz parte da tradição ceramista policrômica da fase Marajoara e ressalte-se que as peças arqueológicas encontradas não apresentam desenhos repetidos.
As reproduções de tangas dos artesãos paraenses, procuram seguir as peças originais com relação ao tamanho, formado e decoração plástica. São cópias de tangas de coleções do Museu Paraense Emílio Goeldi, do American Museum of Natural History(U.S.A), da Coleção Oliveira (Recife-Pernambuco), para citar as reproduções mais utilizadas que podem ser vistas no trabalho de Helen C. Palmatary.
Estatuetas
As estatuetas ou ídolos tem sido assinaladas em várias fases arqueológicas de Marajó, particularmente na Fase Mangueiras, que faz parte da Tradição Borda Incisa. Meggers& Evans verificaram a evidência de estatuetas nas fases Marajoara e Aruã.
Estatuetas
tem sido encontradas no Equador (Cultura Valdívia) e no México Central (Período
Formativo Rural), sendo estas culturas as mais remotas com referência a
objetos deste tipo. Foram descobertas estatuetas em culturas ceramistas também
da Costa Rica, do Panamá, da Colômbia, da Venezuela e dos Andes Centrais.
Helen C. Palamatary estudando os ídolos achados em pesquisas arquológicas no
vale do Mississipi. (U.S.A).
Heloisa Alberto Tôrres com referência a estas figuras, explica: “Na sua forma geral teem estas peças o aspecto de um phallus que ocasionalmente traz a indicação do órgão sexual feminino”.
Eduardo Galvão no seu Guia das Expedições Antropológicas do Museu Goeldi, faz o seguinte comentário com respeito a estas peças marajoaras: “Estatuetas modeladas em barro, representando a figura humana em formas estilizadas, são muito encontradiças nos tesos funerários. De tamanho pequeno geralmente inferior a 20 cm, distinguem-se pela cabeça alongada ou triangular, ausência de braços, e pernas simplificadas, abertas em U, que dão base de apoio á figura.
Geralmente são ocas, contendo seixos no seu interior, que produzem som como os maracás, quando sacudidos. São decoradas segundo as técnicas usuais da fase marajoara, pintura ou desenho gravados.
O sexo quando indicado é geralmente feminino. Atribui-se a essas, funções mágico-religiosas”.
As estatuetas apresentam quase sempre pintura branca com decorações de desenhos geométricos em tons de vermelho. A representação da face lembra máscaras usadas em cerimônias.
As reproduções de estatuetas marajoaras dos artesãos da Exposição-Feira do Artesanato, são baseadas em cópias de peças autênticas, porém determinados ceramistas improvisam estilizações com base em seus talentos artísticos.