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AUTO DA LAPINHA

A lapinha, sempre da mesma forma, erguia-se nos primeiros dias de dezembro, com alguns ramos verdes e folhudos de pitombeira, pitanga ou ficus em arco sobre a mesa cujo lastro servia de chão do presépio. Um céu azul com estrelinhas douradas e brancas, anjinhos e bandeirinhas, tudo de papel, eram os enfeites da arcada. No centro do presépio, ou manjedoura, estava a Sagrada Família cercada de Reis Magos, pastores e os animais da tradição - o burro, a vaca, a ovelha e o galo. Organizado o elenco das pastoras escolhidas entre as moças de melhores vozes e ótima figura, (A Mestra e a Contra-Mestra tinham que ser as mais bonitas), iniciavam-se os ensaios dirigidos por pessoas entendidas no ritual e nas jornadas.

Repartidas em dois grupos azul e encarnado, chamados "cordões" as pastoras ostentando vestes das referidas cores, ou pelo menos brancas com enfeites coloridos, todas portavam maracás com que marcavam o ritmo das jornadas. Os maracás não eram como os dos índios que usavam cabaços secos com pedrinhas ou sementes, mas feitos de flandres em forma de pequenos pandeiros munidos de cabos, e enfeitados das cores dos cordões, por meio de laços de fitas.

O elenco era assim constituído:

Cordão encarnado: Anjo - Mestra - Camponesa - Diana - Colibri.

Cordão azul: Guia - Contra-Mestra - Libertina - Borboleta - Pastorinha.

Completa o elenco a Cigana que, como o Anjo e o Guia, pertencia a ambos os partidos e, por isso, trajavam os três em duas cores em lado azul e outro encarnado.

Formando duas alas, uma puxada pelo Anjo e outra pelo Guia, com a Cigana atrás, entre as duas, as pastoras que previamente se reúnem numa sala contígua à do presépio, entram dançando nesta última quando é anunciada cada jornada, da maneira seguinte:

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AUTO DA LAPINHA - PRIMEIRA JORNADA

1º Canto
(Antes de chegar à sala do presépio, as pastoras cantam.)


Nasceu Jesus na lapinha
Nasceu a nossa alegria
Nasceu o verbo humanado }
Nasceu a nossa alegria } bis


Nasceu Jesus na lapinha
Nasceu o alto Criador
Nasceu o Divino Verbo }
Nasceu o nosso Redentor } bis


Nasceu quem por nosso amor
No mundo vem padecer
Vamos já, vamos com pressa }
O Divino Infante ver. } bis


De dezembro a vinte e quatro
Meia-noite, deu sinal
Rompe a aurora, é primavera }
Hoje é noite de natal } bis


Eu vejo o mundo tão claro
Tudo cheio de alegria
É porque hoje nasceu }
Jesus filho de Maria } bis


Bate asas, canta o galo
Quando o Salvador nasceu
Cantam os anjos nas alturas }
"Gloria in excelsis Deo" } bis


Nasceu Jesus na lapinha
Nasceu o Alto Criador
Nasceu o verbo encarnado }
Nasceu nosso Redentor } bis



2º Canto
(As pastoras se dirigem à sala do presépio, dançando e cantando; estrugem palmas e vivas, enquanto uma girândola atroa no pátio ou no quintal.)


Já vêm as pastoras }
Meu Deus e Senhor, } bis
Hosanas cantando
Hosanas cantando
Hosanas cantando
Em nosso louvor.


Louvai, querubins, }
Chegai, pastorinhas, } bis
Trazendo a Jesus,
Trazendo a Jesus,
Trazendo a Jesus,
Louvores sem fim.


Os anjos no céu }
Contentes estão } bis
Na lapa ditosa
Na lapa ditosa
Na lapa ditosa
Com veneração



3º Canto
(As pastoras aproximam-se do presépio e cantam.)


Viva, viva, viva, viva,
O Menino Deus nascido
Vivam José e Maria!
E o Menino Deus nascido.


Em que parte, pois, nasceu
Esse suspirado bem?
No cimo dessas montanhas
Na lapinha de Belém.


Vinde cá, ó pastorinhas,
Que destino é o vosso?
Confessai, dizei, porque
Ir convosco também posso.


Ir convosco eu bem pudera,
Linda pastora da serra.
Não sabeis da feliz nova
Que vos dou da vossa terra?


Vinde contar-me depressa
O vosso grande destino
É nascido o Redentor
Em figura de Menino.


É nascido o Redentor
Oh! Meu Deus, grande alegria.
Vós nasceste de uma Virgem
Mais linda que a luz do dia.



4º Canto
(O Anjo recita sozinho. Pastoras paradas.)


Venham, pois, que já é tempo
De velar e não dormir
Que este Divino Infante
Querem com setas ferir.


E as pastoras respondem:


Se nos chamam aqui estamos
Com muito contentamento
Para louvar a Jesus
Festejar seu nascimento.


A Mestra recita sozinha: (A torcida dá "bravos" à Mestra.)


Pois, a tão nobre auditório,
Licença venho pedir
Que queira com atenção
Estes louvores ouvir.


O Anjo canta sozinho:


E para dar, em princípio
Um louvor engrandecido
Digam todos também viva
O menino Deus Nascido.


Gloria in excelsis Deo
Gloria in excelsis Deo
Et in terra pax hominbus
Et bonae voluntatis.


Todas as pastoras cantam:


Glória a Deus onipotente
Cantam os anjos nas alturas
Anunciando paz na terra
Para todas as criaturas.


O Anjo canta novamente:


Gloria in excelsis Deo
Gloria in excelsis Deo
Et in terra pax hominibus
Et bonae voluntatis.


Todas as pastoras cantam:


Os pastores que dormiam
Assustados acordavam
De ver tantas maravilhas
Para Belém caminharam.


O Anjo canta:


Gloria in excelsis Deo
Gloria in excelsis Deo
Et in terra pax hominibus
Et bonae voluntatis.


Todas as pastoras cantam:


Para nos purificarmos
Cantemos tantas vitórias
Nesta celeste mansão
Onde os anjos cantam glórias



5º Canto
As pastoras, fazendo evoluções em frente do presépio, cantam:


Alvíssaras, alvíssaras, pastoras,
Que Jesus nasceu.
Entre as palhinhas, pastoras,
Respondeu.


Que menino é este, pastoras?
Pergunta o pastor.
É o Messias, pastora,
Nosso Salvador.


Que menino é este, pastora,
Que nascido está?
É o Messias, pastora.
Para nos salvar.


Alvíssaras, alvíssaras, pastoras,
Jesus nascido está.
Ele veio ao mundo, pastora,
Para nos salvar.



6º Canto
(As pastoras, duas a duas, uma de cada cordão, marcham dançando, para o presépio onde beijam o Menino Deus, após o que se colocam atrás, até que as últimas voltem a ocupar seus lugares. Isto fazem cantando.)


Desçam, pastoras, dos montes
Para o presépio adorar.
Agora eu quero pedir
Licença pra vos beijar.


Tragam cestinhos de flores
Para ao Menino ofertar
Agora eu quero pedir
Licença pra vos beijar.



7º CANTO
Cantam as pastoras:


Que concertos, que gratas harmonias,
Brilha o céu com o mais vivo esplendor
Para ver-se da terra ao infinito, }
Que é nascido o nosso Salvador. } bis


Oh céus que longa viagem
Fizemos todas de além.
Mas em fim vamos chegando }
Às campinas de Belém. } bis

Trazemos todas as flores
Encontradas no caminho
Para aos pés do Deus Menino }
Colocá-las com carinho. } bis


Somos as lindas serranas
Viemos cheias de amores
E trazemos ao Messias }
As cestas cheias de flores. } bis


Foi longa a nossa viagem,
Toda a noite e todo o dia
Conduzindo lindas rosas }
Para o Filho de Maria. } bis



8º Canto


São José de porta em porta,
Busca pouso sem achar.
Numa pobre manjedoura
É que foi se agasalhar.


Ele não sabia a noite
De Maria dar à luz
Foi na pobre manjedoura
Onde quis nascer Jesus.


Que mãe tão pobre é aquela,
Uma tão meiga senhora,
Vira nascer o seu filho
Numa pobre manjedoura.



Aqui termina a primeira jornada. Todas as pastoras se retiram da sala do presépio, debaixo de vivas e bravos.

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AUTO DA LAPINHA - SEGUNDA JORNADA

1º Canto
(As pastoras vão chegando, uma a uma, e cantando.) Sai o Anjo cantando:


Vinde, vinde, ó lindo Anjo
Com rica faixa bordada a ouro,
Pastoras, vinde adorar,
Vinde adorar o nosso tesouro.


Sai o Guia:

Vinde, vinde, ó lindo Guia,
Com rica faixa bordada a ouro.
Pastoras, vinde adorar,
Vinde adorar o nosso tesouro.


Sai a Mestra:


Vinde, vinde, ó linda Mestra,
Com rica faixa bordada a ouro.
Pastoras, vinde adorar,
Vinde adorar o nosso tesouro.


Sai a Contra-Mestra:


Vinde, vinde, ó Contra-Mestra,
Com linda faixa, etc.


Sai a Camponesa:


Vinde, vinde, ó Camponesa,
Com linda faixa, etc.


Sai a Libertina:


Vinde, vinde, ó Libertina,
Com linda faixa, etc.


Sai a Diana:


Vinde, vinde, linda Diana,
Com linda faixa, etc.


Sai a Borboleta:


Vinde, vinde, ó Borboleta,
Com linda faixa, etc.

 

Sai o Colibri:


Vinde, vinde, ó Colibri,
Com linda faixa, etc.


Sai a Pastorinha:


Vinde, vinde, ó pastorinha,

Com linda faixa, etc.



2º Canto
(As pastoras cantam.)


Que estrela tão brilhante
Lá no céu apareceu,
Que seu clarão, lá nos montes,
No mundo resplandeceu.


No mundo inteiro, até hoje
Só espera com alegrias,
Já se esperava no mundo
A chegada do Messias.


Que estrelas são aquelas,
Vindo da parte do mar?
São os galantes Reis Magos
Belchior, Gaspar, Baltazar.



3º Canto
(As pastoras continuam dançando e cantam.)


Vamos dançar em nossos cordões
Com pandeiros e flautas tocando
Com grinaldas de flores singelas
Companheiras alegres cantando.


A lua lá no Egito
Vem clarear em Belém
Dancemos com alegria
Na lapa de Jerusalém.



4º Canto


Entre as palhinhas
Jesus nasceu
É Rei dos reis,
Senhor do judeus.


Vamos, pastorinhas
Vamos a Belém
Ver se é nascido
Jesus nosso bem.


Vamos, pastoras,
Com alegria
Festejar o Filho
Da Virgem Maria.



5º Canto:


Corremos, corremos
Todas marchemos
A flor mimosa
Do prado colhemos.


Tecer capela
Rosa singela
A flor mais bela
Do laranjal.


Vamos, serranas
Vamos sem demora
Vamos ver Jesus
Que nasceu agora.


Tecer capelas
Rosas singelas
A flor mais bela
Do laranjal.



6º Canto


Corremos, manas,
Em busca das palmeiras.
Vejam quanto são belas
As nossas brincadeiras.


As nossas choupanas
Alegres veremos,
As nossas grinaldas
Nós oferecemos.


Deus é nascido.
Oh, que feliz hora.
Prazeres trazendo
A quem o adora.


As nossas choupanas
Alegres veremos,
As nossas grinaldas
Nós oferecemos.


(Retiram-se as pastoras)


Bendito seja
O filho de Maria.
Que todos proteja
Com muita alegria.


As nossas choupanas
Alegres veremos.
As nossas grinaldas
Nós oferecemos.


(ou aqui )

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AUTO DA LAPINHA - TERCEIRA JORNADA

1º Canto
Prisão da Contra-Mestra que andava fugida.


A Contra-Mestra entra sozinha, cantando:


Fugi sozinha dos montes,
Deixei minhas companheiras.
Só vejo os campos floridos
E as borboletas ligeiras.


E nesta hora tão meiga
Que me inspira tanto amor.
Deixei os lindos rebanhos
Entregues ao bom pastor.


Quem sabe se nesta hora
Me procuram lá na serra?
Não encontram o que agora
Em meu coração se encerra.


A Camponesa, com uma fita na mão, vem chegando, acompanhada de uma pastora e procurando a Contra-Mestra, canta.


Vamos, companheira, vamos,
Vamos todas pastorinhas,
Vamos ver a Contra-Mestra
Para colher as florinhas.


Vamos ver se na floresta
A Contra-Mestra passo.
Não vejo ninguém nos montes,
Nem mesmo o nosso pator.


A Camponesa avista a Contra-Mestra e canta:


Cansada eu venho
Aqui te procurar
Agora te encontro
No bosque a passear.


A mestra mandou-se
Aqui te procurar
E com duros ferros
Teus braços atar.


A Camponesa amarra os braços da Contra-Mestra com a fita e a Contra-Mestra canta:


Soltai-me, soltai-me
Desta dura prisão.
Eu me sinto presa
Por tamanha traição.


A Contra-Mestra recita:


Se Jesus soubesse
Desta minha prisão
Mandaria um anjo
Desatar a minha mão.


O Anjo entra e a Contra-Mestra canta:


Soltai-me, bom amigo,
Desta dura prisão.
Eu me sinto presa
Por tamanha traição.


O Anjo canta:


Arranco dos braços
Tão duras correntes.
Não pode ser presa
Pastora inocente.


As pastoras vêm chegando e cantando: (Cada uma por sua vez)


A linda mestra vem adorar } bis
A Jesus seu nascimento
São glórias dadas ao Messias
Pelo nosso contentamento.


A Camponesa vem adorar } bis
A Jesus seu nascimento.


O lindo Anjo vem adorar } bis
A Jesus seu nascimento.


O lindo Guia vem adorar } bis
A Camponesa vem adorar } bis


Seguem-se a Libertina, a Diana, a Borboleta, o Colibri, a Pastorinha e por fim a Cigana.



2º Canto
Todos cantam dançando:


Vamos aos campos.
Pastoras belas,
Colher as flores,
Tecer capelas.


O ananás,
O abacaxi,
O limão-doce
E o sapoti.


Vamos aos campos,
Mais outra vez
Colher as flores
Pra os Santos Reis.


O ananás,
O abacaxi,
O limão-doce
E o sapoti.


Vamos aos campos,
Fragrantes rosas,
Colher as flores,
Frutas cheirosas.


O ananás,
O abacaxi,
O limão-doce
E o sapoti.



3º Canto


O galo que canta,
A ovelha que berra,
Já nasceu Jesus,
Todos prostrados em terra.


A ovelha que berra,
O galo que canta,
Já nasceu Jesus,
Todos se levantam.


Vamos, belas companheiras,
Contentes nos divertir,
Vamos dar adeus ao povo
Para podermos partir.



4º Canto

 

A Borboleta canta:


Que voz tão linda,
Que voz tão bela
Dessas pastorinhas
Que aqui vêm cantar.


Que as nossas festas
Produzem amor.
Eu serei a borboleta
E o Senhor o beija-flor.


Vem, companheira, vem
Brincar conosco, vem
No meu jardim
Trá lá lá lá,
Trá, lá, lá...



5º Canto


Quando o lindo anjo chegou
Deu um laço na fita branca.
Não há fita, não há nada,
É Jesus que se levanta.


Meu Menino, meu Jesus,
Que é de a vossa camisinha?
Está lá dentro se costurando
Pelas mãos das pastorinhas.



6º Canto
Dança do arco


Dancemos todas com alegria,
Vamos adorar a Jesus e a Maria
Pois ele gosta que nós festejemos
E todas juntas ora contradancemos.


O povo ajoelha, vamos adorar
Ao menino Deus vamos festejar.
Pois ele gosta de muita alegria,
Vamos adorar a Jesus e a Maria.


As pastoras se retiram cantando a primeira estrofe - Dancemos todas com alegria etc.

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AUTO DA LAPINHA - QUARTA JORNADA

1º Canto
As pastoras vêm chegando, uma a uma, cantando:


(O Anjo)


Eu como sou o lindo Anjo,
Guiado por uma estrela
Como um cervo perseguido
Dos montes venho fugido.


Eu vou convidar
As minhas companheiras.
Para com elas
Formar as brincadeiras.


(O Guia)


Eu como sou o lindo Guia
Dos montes venho fugido etc.


(A Mestra)


Eu como sou a linda Mestra, etc.


(A Contra-Mestra)


Eu como sou a Contra-Mestra, etc.


(A Libertina)


Eu como sou a Libertina, etc.


(A Diana)


Eu como sou a linda Diana, etc.


(A Borboleta)


Eu como sou a Borboleta, etc.


(O Colibri)


Eu como sou o Colibri, etc.


(A Pastorinha)


Eu como sou a Pastorinha, etc.


(A Cigana)


Eu como sou a Ciganinha etc.



2º Canto

 

As pastoras dançam e cantam, até que a Cigana se anuncie:


Que vós, divinas princesas,
Alegres festas tenhais,
Nestas noites tão bonitas,
Nestes campos festivais.
Oh lê lê lê vitória
Cantemos a glória.


A Cigana vem chegando, cantando:


Sou cigana do Egito.
De tão longe a Belém
Venho ver o Deus Menino
Que nasce para nosso bem.


Ai, ai, que dor na min'alma
De ver o Menino
Deitado nas palhas.


Oh lê lê lê vitória } bis
Cantemos a glória.


A Cigana aproxima-se da lapinha e recita:


Eis aqui a Ciganinha,
Ciganinha do Egito,
Vem pedir a mão Divina
Para ler a boa dira.


Se não chego tão depressa,
Nada podia alcançar,
Que do Egito a Belém
Há léguas a caminhar.


Eu vi pastoras com flautas,
Pastoras com seus tambores
Que vinham para adorar
A Jesus Rei dos Senhores.


Eu também, como Cigana,
Vou gozar desta alegria,
Por ter nascido o Messias
Filho da Virgem Maria.


A Cigana canta:


Sou Cigana do Egito
De tão longe a Belém
Para ver o Deus Menino
Que nasceu pra nosso bem.


Ai ai que dor na min'alma
De ver o Menino
Deitado nas palhas.


A Cigana recita junto da lapinha:


Eis aqui a Ciganinha,
Ciganinha do Egito
Vem pedir a mão Divina
Para ler a sua dita.


Minha adorada paisana,
Eu vos adoro com fé,
Porque sois mãe carinhosa
De Jesus de Nazaré.


A Cigana volta-se para o Menino Jesus e canta:


Me dá tua mão
Para nela eu ler
Verdades bem puras,
Verdades bem puras,
Verdades bem puras,
Eu já vou dizer.


Em seguida a Cigana recita:


Numa ceia majestosa,
Cheia de paz e de amor,
Um discípulo teu amado
Se tornará traidor.


Dar-te-á um frio beijo
Como sinal de traição.
Depois serás conduzido
Por infame multidão.


Serás também condenado
À morte, meu bom Jesus.
E para martírio lento
Te pregarão numa cruz.


A Cigana vira-se para o Anjo e canta:


Me dá tua mão
Para nela eu ler.
Verdades bem puras,
Verdade bem puras,
Verdade bem puras
Eu já vou dizer.


A Cigana pega a mão do Anjo e recita:


Como és o lindo Anjo
Que anunciaste a Maria
Terás o encanto da aurora,
Da natureza a magia.


A Cigana volta-se para a Mestra e canta:


Me dá tua mão
Para nela eu ler, etc.


A Cigana pega a mão da Mestra e recita:


Por seres tu a linda Mestra
Das discípulas mais amada,
Terás a sorte ditosa
Como o sorrir da alvorada.


A Cigana dirigi-se à Contra-Mestra; cantando:


Me dá tua mão
Para nela eu ler, etc.


A Cigana pega a mão da Contra-Mestra e recita:


Por seres a Contra-Mestra
Do lindo cordão azul
Terás a sorte fagueira
Das borboletas do Sul.


A Cigana dirigi-se à Camponsesa:


Me dá tua mão
Para nela eu ler, etc.


A Cigana pega a mão da Camponesa e recita:


Como és a camponesa
Filha do campo do amor
Serás a esposa querida
De um bendito pastor.


A Cigana dirige-se à Libertina, cantando:


Me dá tua mão
Para nela eu ler, etc.


A Cigana pega na mão da Libertina e recita:


Como és a Libertina
De volúvel coração,
Deverás seguir os dogmas
Da Santa Religião.


A Cigana dirige-se a Diana, cantando:


Me dá tua mão
Para nela eu ler, etc.


A Cigana pega a mão de Diana e recita:


Como és a Diana formosa
Do poeta a inspiração,
Terás o brilho dos astros
Que repele a solidão.


A Cigana pega na mão da Borboleta, cantando:


Me dá tua mão
Para nela eu ler, etc.


A Cigana recita:


Como és a Borboleta
Que esvoaça pelo espaço,
Terás do colo das virgens
O delicado regaço.


A Cigana dirigi-se ao Colibri, cantando:


Me dá tua mão
Para nela eu ler, etc.


A Cigana pega a mão do Colibri e recita:


És o Colibri dourado
Das florestas das campinas,
Terás os beijos rosados
Das virações matutinas.


A Cigana, levando uma bandeja, sai pelo meio do povo, cantando:


Dá-me uma esmola,
Pelo amor de Deus.
Que a pobre Cigana
Hoje não comeu.


Dá uma esmola
À pobre Cigana.
Pois vós bem sabeis
Que ela não engana.


Quem tiver dinheiro
Nesta ocasião,
Meta a mão no bolso
Faça a obrigação.


Não negueis esmola
Que vos peço agora.
A pobre Cigana
Já se vai embora.


Muito agradecida
Por tão nobre ação.
Da pobre Cigana
Toda a gratidão.


As pastoras todas cantam:


Acabai logo
Tanta alegria
Que já é nascido
O Filho de Maria.


A Cigana ajoelha-se em frente da lapinha e recita:


Ah meu Jesus Nazareno,
Encanto desta lapinha!
Aceite os votos sinceros
Desta pobre Ciganinha.


As pastoras cantam:


Acabai logo
Tanta alegria,
Que já é nascido
O Filho de Maria.


A Cigana canta:


Sou Cigana do Egito
De tão longe a Belém
Venho ver o Deus Menino
Que nasceu pra nosso bem.


Oh lê lê lê lê vitória
Cantemos a glória.



3º Canto
(As pastoras cantam)


Já deu meia-noite,
Já resplandeceu.
Que belo Menino
Na lapa nasceu.


Já deu meia-noite
O galo cantou.
O belo Menino
Com seu resplandor.


Já deu meia-noite,
Que santa alegria.
Nasceu o filho amado
Da Virgem Maria.


Já deu meia-noite,
O céu se abrilhanta,
Os anjos escutam,
A terra se encanta.


As pastoras retiram-se dançando.

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AUTO DA LAPINHA - QUINTA JORNADA

1º Canto
As pastoras vêm saindo, uma e uma, com coro.
Cantam: (Saindo o Anjo)


Saia o lindo Anjo,
Para o seu lugar.
Convide o lindo Guia
Para vir dançar.


Oh, meus senhores,
Oh, meus senhores,
Queriam desculpar,
Que esta jornada
Não acaba já.


Saindo o Guia:


Saia o lindo Guia
Para o seu lugar.
Convide a Linda Mestra
Para vir dançar.


Oh, meus senhores,
Queiram desculpar,
Que esta jornada
Não acaba já.


Saindo a Mestra:


Saia a linda Mestra
Para o seu lugar.
Convide a Contra-Mestra
Para vir dançar.


Senhores e senhoras
Queiram desculpar,
Que esta jornada
Não acaba já.


Saindo a Contra-Mestra:


Saia a Contra-Mestra
Para o seu lugar.
Convide a Camponesa
Para vir dançar.


Senhores e senhoras, etc.


Saindo a Camponesa:


Saia a Camponesa
Para o seu lugar.
Convide a Libertina
Para vir dançar.


Senhores e senhoras, etc.


Saindo a Libertina:


Saia a Libertina
Para o seu lugar.
Convide a Diana
Para vir dançar.


Senhores e senhoras, etc.


Saindo a Diana:


Saia a Diana
Para o seu lugar
Convide a Borboleta
Para vir dançar.


Senhores e senhoras, etc.


Saindo a Borboleta:


Saia a Borboleta
Para o seu lugar.
Convide o Colibri
Para vir dançar.


Senhores e senhoras, etc.


Saindo o Colibri:


Saia o Colibri
Para o seu lugar.
Convide a Pastorinha
Para vir dançar.


Senhores e senhoras, etc.


Saindo a Pastorinha:


Saia a Pastorinha
Para o seu lugar.
Convide a Ciganinha
Para vir dançar.


Senhores e senhoras, etc.



2º Canto
Todas as pastoras cantam:


Nestas cidades,
Nestas campinas
Só vejo rosas
Mal-me-quer,
Belas boninas.


Trá lá lá trá lá lá,
Trá lá lá trá lá lá,
Só vejo rosas
Mal-me-quer
Belas boninas.


Nestas campinas
Nestas cidades.
Só vejo rosas
Mal-me-quer,
Lindas beldades.


Trá lá lá trá lá lá. } bis
Só vejo rosas,
Mal-me-quer,
Lindas beldades.


Nestas cidades
Nestes pauis,
Só vejo rosas
E borboletas azuis.


Trá lá lá, trá lá lá lá } bis
Só vejo rosas
E borboletas azuis.



3º Canto
Todas as pastoras cantam:


Meu Menino, estou presa,
Estou presa
Em correntes de papel,
De papel.
Estou presa nos seus braços
Solte-me quando quiser.


Já deu meia-noite,
Já resplandeceu.
O belo Menino
Na lapa nasceu.



4º Canto
Entram a passo lento, cantando:


Ofertas, pastoras,
Ofertas, ofertas de amor.
Ofertai ao lindo Menino
Que é nosso Redentor.


E dançando todas:


Que bela noite
Nós viemos dar.
Que ricas capelas
Vamos ofertar.


Noite feliz, noite ditosa } bis
Noite pra nós venturosa } bis


Cada pastora, aproximando-se do presépio, recita.
A Mestra recita:


A uva é boa fruta
Que dela se faz o vinho.
De beleza e de amor
Vos oferto esse cachimbo.


A Contra-Mestra recita:


Ao Menino que se louva
Nesta alegria sem par,
De homenagem como prova
Venho este lírio ofertar.


A Camponesa recita:


Oh meu Menino Jesus,
De faces cor de carmim,
Nada tenho que ofertar,
Oferto-te este jasmim.


A Libertina recita:


Meu Jesus, meu Salvador,
A teus pés a Libertina
Vem humildemente por
Um raminho de bonina.


A Diana recita:


Oh meu querido Jesus,
Eu sou a pobre Diana.
Só trago para te dar
Um pedacinho de cana.


A Borboleta recita:


Meu bom Menino Jesus,
Eu que sou a Borboleta,
Só trago pra te dar
Um raminho de violeta.


O Colibri recita:


Trago uma rosa a Jesus,
Eu que ando de flor em flor.
Escolhi a mais bonita
Para dar ao Salvador.


A Pastorinha recita:


Como pobre Pastorinha,
Oh meu querido Jesus,
O que vos posso ofertar
São estes lindos cajus.


A Cigana recita:


Minha pobreza é maior,
Eu vivo estendendo a mão.
Para dar ao Salvador
Só tenho meu coração.

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AUTO DA LAPINHA -   SEXTA JORNADA

1º Canto
Sai o Anjo sozinho e canta:


A gentileza é tão formosa e bela,
Eu não sou lírio nem também jasmim.
Das pastorinhas sou o lindo Anjo.
Entre as mais flores, sou o bugari.


Ó meus senhores, queiram desculpar
Algumas faltas que se derem aqui.
A mim faltaram habilitações
Para ser Anjo deste pastoril.


O Guia sai e canta:


A gentileza é tão formosa e bela
Eu não sou lírio, etc.

........................................................


Oh meus senhores, etc.

........................................................


Para ser guia deste pastoril


Assim cantam também a Libertina, a Diana, a Borboleta, o Colibri, a Pastorinha e a Cigana.



2º Canto
Saem a Mestra, a Contra-Mestra e a Camponesa, todas cantando:


Nós viemos de tão longe
Com a linda Camponesa,
Colhendo flores mimosas
Que nos deu a natureza.


Trazemos cestas com flores
Para ao Menino ofertar.
Agora vimos pedir
Licença pra vos beijar.



3º Canto
Todas cantam, fazendo evoluções:


Vamos ó ninfas com o beija-flor,
Trazer capelas, pra nosso amor
Olhe o ananás, olhe o abacaxi
Olhe o limão-doce, olhe o sapoti.


Vamos ao campo, pastoras belas,
Colher flores, tecer capelas.
Olhe o ananás, olhe o abacaxi
Olhe o limão-doce, olhe o sapoti.


Vamos, pastoras, mais outra vez,
Colher as flores, pra os nossos Reis.
Olhe o ananás, olhe o abacaxi
Olhe o limão-doce, olhe o sapoti.



4º Canto
Sai uma pastora ostentando uma estrela na cabeça ou na testa e canta: (Notem-se estes versos brancos):


Sou a estrela
Do Oriente venho.
Venho adora
Nosso Senhor.


Que o meu brilho
Nunca se apague.
Sou a estrela
Do Salvador.


Sou a estrela
Entre as rainhas.
Que o meu brilho
Vem lá do céu.


Que o meu brilho
Nunca se apague.
Sou a estrela
De Nosso Senhor.



5º Canto


Noite mais bela
Que o claro dia,
Nunca tivemos
Tanta alegria.


Fogem as aves
Dos quentes ninhos.
Todos sorrindo
Pelos caminhos.


O céu se veste
De várias cores,
Os astros brilham
Com mais fulgores.


De lindas cores
Se adorna o prato,
Abelhas voam,
Retorna o gado.



6º Canto


Viva o bom Jesus,
Filho do Eterno,
Salvador do Mundo,
Terror do Inferno.


Nós todas colhemos,
Nós todas tecemos,
Capelas de flores
Pra Jesus trazemos.


Meu Menino Deus,
Aqui estamos nós.
Viemos de longe
Para ver a vós.

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AUTO DA LAPINHA - SÉTIMA JORNADA

1º Canto
Morte da Contra-Mestra.


A Contra-Mestra vai à lapinha e retira Menino Deus.


Em seguida chega a Mestra com uma espada na mão e canta;


Por estes campos,
Por estes campos,
Por estes campos,
Venho brigar.


A Contra-Mestra, com o Menino nos braços, responde cantando:


Mas o Menino,
Mas o Menino,
Mas o Menino,
Não hei de entregar.


A Mestra diz para a Contra-Mestra:


Hermínia, sabes que morres?
Sabes que perdes a vida?


A Contra-Mestra responde:


A vida por Deus é dada,
Por ele mesmo é tirada.


A Mestra retruca:


Na ponta da minha espada?


Chega a Libertina que põe a mão no ombro da Contra-Mestra e diz:


Sou eu, a amiga leal
Que não vos quero faltar.
Com risco da própria vida
Eu vos quero acompanhar.


A Contra-Mestra responde:


Ide, ide, retirai-os já:


A Libertina replica:


Eu vou com muito pesar,
Pois não sei quem vencerá.


Chega a Camponesa e diz:


Eu não me importo com isto,
Já pode o sangue correr
Como não quero ser contra
Nem pra matar ou morrer,
Eu já me vou retirar.


A Mestra crava o punhal no peito da Contra-Mestra e esta diz:


Ai! Que grande dor!
Grande dor é a da morte!


A Diana aproxima-se e diz:


Florinda! Florinda! Cruel!
Mataste Hermínia
Uma pastora fiel!
Vinde, pastoras,
Vinde todas,
Ajudar Hermínia a morrer.


Chegam todas as pastoras com a mão direita na testa em sinal de dor e formam uma roda em torno da Contra-Mestra, cantando:


Companheiras, botem luto,
Botem luto
Que a Contra-Mestra morreu.
Enquanto ela foi viva,
A linda Mestra,
A linda Mestra,
Não venceu.


A Diana diz aproximando-se da Mestra:


Estou chegando espantada
Desta vil cena de horrores,
Que faz tremer céu e terra
Grande aflição nos pastores!


És tu, Florinda, a culpada
De tão cruel traição?
Cravaste o terrível ferro
De Hermínia no coração?


A Camponesa aproxima-se da Contra-Mestra, tira-lhe o pano tinto de sangue que está no seu peito e mostra-o aos circunstantes.


Em seguida a Camponesa canta:


Quem se acha presente
Que veja o sangue desta inocente,
Desta inocente
Que hoje foi derramado
Ai! por um Deus,
Ai! por um Deus,
Onipotente.


A Mestra, mostrando-se arrependida, ajoelha-se junto à lapinha e diz:


Jesus, Meu Deus,
Que fiz eu?
Matei aminha amiga
Nesta grande ocasião.
Mas foi pelo Deus Menino
Portador da redenção!


Aparece, então, o Anjo que pega nas mãos da Contra-Mestra e diz:


Eu sou o lindo Anjo
Que venho do Oriente,
Salvar a Contra-Mestra
Porque morreu inocente,
Pelo Deus Onipotente.
Levanta-te, Hermínia, e ora
Que já vem a luz da aurora.


A Contra-Mestra levanta-se e diz:


Lindo Anjo, eu não morri
Pois bem viva aqui estou!
Eu quero abraçar a Mestra
A quem Jesus perdoou.


Abraçam-se a Mestra e a Contra-Mestra.



2º Canto
Desafio dos Cordões

Todas as pastoras dançam e só o Cordão Azul canta:


Estrela do Norte,
Cruzeiro do Sul,
Viva quem dá bravos
Ao Cordão Azul,


O Cordão Encarnado canta:


Estrela do Norte,
O céu estrelado,
Viva quem dá bravos
Ao Cordão Encarnado.


O Cordão Azul canta:


O ligeiro vento
Perpassando ao Sul
Ouço dando bravos
Ao Cordão Azul.


O Cordão Encarnado canta:


Quando chega a tarde
E o sol desaparece,
Cordão Encarnado
É quem resplandece.


Canta o Azul:


O Cordão Azul
Quando vem surgindo,
Parece uma estrela
Que nos vem sorrindo.


Canta o Encarnado:


O gorjeio da ave
No seu vôo alado
Somente dá bravos
Ao cordão Encarnado.


Canta a Azul:


O Cordão Azul
Tão meigo e singelo,
Entre os mais cordões
Sempre é o mais belo.


Canta o Encarnado:


Lá dos céus a harpa,
Quando se dedilha
Diz que o Encarnado
É quem mais brilha.


Canta o Azul:


Nas formosas tardes,
Sempre perfumosas,
O Cordão Azul
Vale mais que as rosas.


Canta o Encarnado:


Nos encantos ledos
Das manhãs de abril
Cordão encarnado
Sempre é o mais gentil.


Canta o Azul:


O Cordão Azul,
Sempre alvissareiro,
É o cordão mais belo
Deste mundo inteiro.


Canta o Encarnado:


Nas formosas vestes
Que ornam o Senhor,
Cordão Encarnado
Tem mais esplendor.


Canta o Azul:


O Cordão Azul
É o formoso véu
Que cobre as belezas
Do esplendor do céu.


Canta o Encarnado:


Enquanto o Encarnado
De esplendores cresce,
O Cordão Azul
Mal nos aparece.


Canta o Azul:


As saudáveis brisas
Que vem lá do Sul.
Só chegam saudando
O Cordão Azul.


Canta o Encarnado:


Quando é de tarde
E o sol declina,
Cordão Encarnado
É quem ilumina.


Canta o Azul:


Belas companheiras,
Neste festival,
O Cordão Azul
Já não tem rival.


Canta o Encarnado:


Vejam a beleza
Do sol a raiar.
É o encarnado
Que está a dançar.


Canta o Azul:


Quando a aurora raia
Nas bandas do Sul,
Toda a natureza
Se veste de azul.


Canta o Encarnado:


As implumes aves,
Colibri divinos,
Tangem para enfeites
As coisas azuis.


Azul e Encarnado cantam juntos:


Azul e Encarnado
Podem ser rivais
Mas as pastorinhas
São todas iguais.



3º Canto
Todas a pastoras cantam, dançando e fazendo reverências diante do presépio:


Vivas ao Menino Deus,
Viva, os louvores são seus
Viva com muita alegria,
Viva José e Maria!
Viva a sagrada Família!


Este canto é repetido e entoado terceira vez.



4º Canto
Louvores ao menino.


A Mestra canta:


Louvem, pastorinhas,
Louvem com ternura.
Todo o seu corpinho
É uma formosura.


A Contra-Mestra canta:


Sua formosura
Eu vou descrever
Com letras de ouro
Para se entender.


A Camponesa canta:


Os seus cabelinhos
São flor de ouro
Bem mostra o que é:
Um rico tesouro.


A Libertina canta:


Que linda testinha
Em seu natural,
De um lado e do outro
Toda por igual.


Canta a Diana:


Vejam seus olhinhos
Como são azuis.
Mostram que Ele é
O Menino de Jesus.


A Borboleta canta:


A linda boquinha
Como está sorrindo!
Parece uma rosa
Quando vem abrindo.


O Colibri canta:


Que lindas facinhas!
São dois ramalhetes
Facinhas mimosas!
De jasmim e rosas.


A Pastorinha canta:


Todo o seu corpinho
É uma maravilha
Brilha mais que o sol,
Mais que os astros brilha.



5º Canto
(Este canto é o mesmo - 5º da Sexta jornada, e, como aquele, é executado por todas as pastoras):


Noite mais bela
Que o claro dia.
Nunca tivemos
Tanta alegria.


Fogem as aves
Dos quentes ninhos,
Todas cantando
Pelos caminhos.


O céu se veste
De várias cores,
Os astros brilham
Com mais fulgores.


De lindas cores
Se adorna o prado,
Abelhas chegam.
Retorna o gado.



6º Canto
Cantam todas as pastoras.


A luz divina,
A luz do céu
Vem clarear os passos meus,
Que hoje ao nascer da aurora,
Louvores! Louvores!
Jesus nasceu!


Cantemos, manas, cantemos,
Amigas e camaradas,
As flores mais perfumosas
São para nossas grinaldas.


Retiram-se as pastoras.

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AUTO DA LAPINHA - JORNADA OFERTA DOS RAMALHETES

As pastoras vêm saindo uma a uma, portando ramalhetes que ofertam a determinadas pessoas adrede escolhidas.


Sai o Anjo, em primeiro lugar, cantando:


Boa noite, meus senhores todos,
E as senhoras deste lugar.
Eu sou o Anjo da lapinha
Que aqui venho vos cumprimentar.


O Anjo dirige-se à pessoa escolhida: (Canta)


O Sr. Fulano (ou senhora)
Queira aceitar
Este ramalhete
Que o lindo Anjo dá.


O Anjo repete:


O Sr. Fulano

Queira aceitar, etc.


Sai o guia cantando a mesma coisa, dirigindo-se à pessoa determinada e faz idêntica oferta. O mesmo fazem as demais pastoras, na ordem estabelecida, isto é, Mestra, Contra-Mestra, Camponesa, Libertina, Diana, Borboleta, Colibri, Pastorinha e Cigana. Modificam-se apenas algumas palavras, para adaptação à música; assim, enquanto a Mestra diz: "Eu sou a Mestra desta lapinha", a outra diz: "Sou Contra-Mestra desta lapinha, etc".

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AUTO DA LAPINHA - JORNADA DO ANO NOVO

Todas as pastoras cantam:


Ano bom, felizes dias
Eu vos peço, ó meu Senhor.
Que dês por muitos anos
Pelo vosso santo amor.


Ano bom, felizes dias!
Nós pedimos ao Messias.
Que nos dê por muito tempo
Ano bom, felizes dias.


Entrou janeiro, entrou,
Entrou com muita alegria.
Nós vos pedimos ao Senhor
Ano bom, felizes dias.


Salve-nos Deus, ó Jesus,
Trazei-nos as primazias.
Nós vos pedimos, Senhor,
Ano bom, felizes dias.


Ano bom, felizes dias
Eu vos peço, ó meu Senhor.
Que dês por muitos anos
Pelo vosso santo amor.

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AUTO DA LAPINHA - CANTOS

Canto do dia dos reis


Cantam todas:


Senhor dos Reis,
Senhor que há de vir,
Viemos de longe,
Queremos nos ir.


Senhor dos Reis,
Encanto do lar,
Nós somos de longe,
Queremos voltar.



Canto da desmancha da lapinha


Enquanto a lapinha é desmanchada para ser queimada, as pastoras cantam:


Vamos, companheiras,
Antes que venha a alvorada
Pedir licença ao Messias
Para a nossa retirada.


Vamos, boas companheiras,
Fazer nossas despedidas
Nossa jornada é penosa,
As léguas são bem compridas


Já se aproxima a tristeza,
Vai findar nossa alegria.
Vamos ter o desengano
Antes de raiar o dia.


Vamos ver esta lapinha
Em cinzas se transformar.
Nosso presépio ditoso
Onde brincava o luar.


Oh, Jesus, daí-nos conforto
Nesta augusta ocasião.
Vossa graça nos ampare
Da fatal desilusão.



Canto da queima das palhinhas


Enquanto as palhinhas ardem, as pastoras cantam:


As nossas palhinhas
Já se vão queimar
Gentis pastorinhas,
Tempo é de chorar.


Choremos, choremos,
Fiéis companheiras,
Não mais gozaremos
Destas brincadeiras.


Maria divina,
Jesus nosso bem,
A dor nos domina,
Tristeza também.

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