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JORNADAS PASTORIS |
| Todo o céu
e terra Vos cantam em louvor Ó Menino Deus Nosso redentor Desses céus descei Descei Criador De remir o mundo É tempo, Senhor Há tantos mil anos Geme o pecador De o livrar da culpa É tempo, Senhor Vinde, Deus clemente Vinde, Deus de amor De habitar conosco É tempo, Senhor Desterrai a culpa Pio redentor De trazer a graça É tempo, Senhor De Deus das vinganças Sede Deus de amor De amardes ao homem É tempo, Senhor Sou cativa de Jesus E seu amor me prendeu Eu presa, cativa, digo - Quem ama a Jess, sou eu Uma abane o fogareiro Outra lave a tigelinha Outra vá bater os ovos Enquanto eu sesso a farinha Senhora, a papa está feita Vede se ela é muito ou pouco E se o menino não gostar Botai-lhe o peito na boca O menino é mui galante Sabe fazer folguedinhos Tira a boca do seu peito Para chupar sei dedinho Enquanto o menino dorme E o boi junta as palhinhas E vou já depressa ao rio Lavar suas camisinhas Já estão todas lavadas E tão claras como a luz Que Deis lave as nossas almas Para sempre amém, Jesus * * * Da sua formosura Eu já vou dizer Algumas cousinhas Do meu entender Os seus cabelinhos São felpas de ouro Que bem mostram ser De um rico tesouro A clara testinha No seu natural De um canto a outro Toda por igual Os belos olhinhos Tão vivos e azuis Bem mostram que são Do Menino Jesus O seu narizinho Mui bem afilado Da ponta vermelha Todo encarnado A linda boquinha Quando está sorrindo Parece uma rosa Quando vem abrindo Barroca na barba E nas bochechinhas Que ao riso se abrem Tão engraçadinhas Todo seu corpinho É uma maravilha Brilha mais que o sol Mais que o sol brilha Ai quem me dera Este lindo infante Que no seu amor Será bem constante De cepa nasceu a rama De rama nasceu a flor E da flor nasceu Maria Mãe do nosso Redentor Batendo de porta em porta Agasalho sem achar Ao pé de uma manjedoura Lá se foi agasalhar Em dezembro a vinte e quatro À meia-noite deu sinal Rompe a aurora, primavera Nesta noite de Natal Meu amado rubicundo Sem seu cabelo dourado Quem me dera estar com ele Nesse seu trono sagrado Dizei-me o que significa Uma bandeirinha na cruz Com três letrinhas dizendo: I-H-S-Jesus * * * Vem já o verbo divino O nosso pranto enxugar! Vem o mundo resgatar Do infernal dragão ferino Mais uma hora Inda esperemos Nós o veremos Na nova aurora Ah! quanto, quanto nos ama Nosso Menino Jesus! Que, apesar de dura cruz Nosso resgate proclama Ó mistério o mais profundo Que até mesmo os céus espanta! Como alcançou glória tanta Este miserável mundo? * * * Vamos, vamos companheiros Vamos todos a Belém Procurar entre os presépios A Jesus, o nosso Bem Na descendência de Adão Jamais pode haver alguém Que não deva pertencer A Jesus, o nosso Bem Pastores velhos e moços Os pegureiros também Venham sues dons ofertar A Jesus, o nosso Bem Converta-se sem demora A brava Jerusalém Seu coração sacrifique A Jesus, o nosso Bem Tudo quanto as profecias A nosso favor contêm Só o podemos dever A Jesus, o nosso Bem Lá, na pátria de David Sem passarmos mais além Disse o anjo que acharemos A Jesus, o nosso Bem Hoje as bençãos de Jacó Sobre todo o mundo vêm Todas elas figuravam A Jesus, o nosso Bem * * * Este caminho vai ser De Belém a grã cidade No presépio vamos ver Quem ocupa a imensidade Só poderia Divino amor Tanto favor Nos conceder Grande Deus, como quiseste Em um presépio nascer? Quando até o mesmo céu Vos pode apenas conter? Vem nas trevas do presépio Qual aurora, aparecer Para resgatar o mundo Para o mundo esclarecer! Vamos ver a Deus-menino Bem antes de amanhecer Pois que o céu a nós primeiro Prometeu este prazer Não haja vagar Corramos depressa Que a aurora começa Nos céus assomar O favônio brando Sobre nós ligeiro Das flores o cheiro Está exalando Toda a natureza Sorri de alegria Contemplando um dia De tanta beleza Quem prestou o ser Ao orbe rotundo Do céu sobre o mundo quis hoje descer E para mostrar Seu amor por nós De Adão crime atroz Ele vem apagar Alvíssaras demos Ao nosso destino Já do Deus-menino O presépio vemos (COSTA, Pereira da. Folclore pernambucano) |