Menu Folclore

 boi1.jpg (4241 bytes)Boi-Bumbá boi2.jpg (2530 bytes)

Os Instrumentos
Os instrumentos antigamente eram bastante simples, de percussão rústica:
palminhas, maracás de lata, 2 caixinhas, 4 zabumbas.
As palminhas, típicas do Boi, são dois pedaços de madeira, batidos um contra o outro para fazer o ritmo que conduzia os passos da dança.
Atualmente, o a batucada (Garantido) ou Marujada (Caprichoso) do Boi é apoiada por instrumentos de corda e teclados que acompanham e dão efeito à apresentação da arena. O uso de teclados, inicialmente um tabu, se mostrou muito importante para a toada na arena (um exemplo: Mapinguari, do Garantido 97).
O ritmo lento, lembrava o gemido sufocado do negro que padecia no cativeiro sem se queixar.

boi3.jpg (15186 bytes)

Mulheres no Boi: as "mutucas"
Mulheres no boi! Escândalo na certa. Esta brincadeira era feita por homens.
Porém, em Parintins, as mulheres sempre foram audaciosas, e no Caprichoso as pioneiras foram Eurica, que dançou debaixo de D. Aurora (boneca de pano) e  Camé do Bom Rapaz, que enfeitava o boi - e, segundo alguns informantes, até dançou como tripa do Caprichoso.
Foi no Garantido que as primeiras mulheres dançaram no Boi. Segundo informações, foram: Cilene, filha da Madá; Clezíbia, irmã do Gostoso; Roca, filha da dona Gita, lá da baixa; Deuza e Maura, filhas do Porquinho de Vergonha.
A partir daí, um cortejo de mulheres passou a acompanhar o boi. Eram esposas, filhas, namoradas, cunhadas, parentes dos brincates de modo geral e
responsáveis pela água farta e outras atividades dentro do cortejo.
Cantavam, pulavam, dançavam, gritavam quando os desafios eram entoados.
Sabem como ficou conhecido o cortejo de mulheres atrás dos Bois? As mutucas.
Sim, porque segundo Câmara Cascudo e outros estudiosos do assunto, o
Boi-Bumbá é originário de áreas de pecuária onde tem de tudo, até mutucões
(origem do apelido mutucas) que constantemente eram vistos nos lombos dos bois   sugando seu sangue para se alimentar perseguindo-os o dia todo

Promessas
Antigamente, toda pessoa que colocava um boi fazia-o para pagar uma promessa.
No caso do Caprichoso, os irmãos Roque e Antônio Cid que vieram de Crato, Ceará, fizeram uma promessa para São João Batista. Ao chegarem em Parintins, no início do século, por volta de 1910, queriam encontrar trabalho e se fossem bem sucedidos, colocariam um Boi para homenagear o Santo pelos anos de vida que tivessem. Unidos a José Furtado Belém, criaram o Boi Caprichoso, em 1913.
O Boi Garantido surgiu da promessa feita também a São João Batista, por Lindolfo Monteverde, pedindo a cura de uma hemorróida crônica. Atendido, criou esta agremiação em 1919.
Até hoje as estrelas azul e vermelha resplandecem por todos os festivais, eventos considerados como "Monstros Sagrados do Folclore Amazonense". Em sua trajetória, de casa em casa até chegar ao Bumbódromo, os Bois-Bumbás conquistaram seu espaço e hoje estão se tornando conhecidos nos cenários nacional e internacional.
Por muito tempo, os Bois Caprichoso e Garantido brincaram e eram conhecidos apenas na cidade de Parintins. Com o início do Festival Folclórico de Parintins, em 1965, a organização e estrutura levou os Bois a serem conhecidos em todo Estado do Amazonas e posteriormente no Brasil. Hoje (1998), apesar de receber notas modestas em revistas e telejornais brasileiros, o Festival é conhecido mundialmente.

Mudanças na Estrutura
Muito mudou na estrutura dos Bois-Bumbáis. Dos antigos 30 brincantes de terreiro, hoje podemos encontrar de 3000 a 3500 em cada agremiação.
O Auto do Boi original foi substituído por volta da década de 70 por motivos da
cultura amazonense, como lendas, mitos, tradições, usos e costumes.
A própria Odinéia Andrade, autora deste texto, participou da reformulação do Boi. Ela cita a necessidade de se falar mais da Amazônia e de conhecer mais a própria cultura. Dona Odinéia é professora e, na época, percebia a falta de informação sobre a cultura da Amazônia, que não era ensinada nas escolas.
Vale dizer, também, que nos idos de 70, apesar de todos os problemas pelos quais passava o Brasil, o país tinha uma orientação nacionalista. Em termos culturais, se buscava exaltar o Brasil. Além das toadas do Boi, outras vertentes musicais nos anos 70 demonstram isso.
No início da década de 80, ao invés de donos, os Bois passaram a ser administrados por uma diretoria constituída pelas figuras de Presidente, Vice Presidente, Tesoureiro e Secretário.
Com a criação do Festival Folclórico pela JAC (Juventude Alegre Cristã) em 1966, iniciou-se um novo estágio: é implantado um regulamento e um julgamento, com a finalidade se sagrar um campeão.

Locais de disputa
O maior Festival Folclórico do gênero no mundo, segundo Tonzinho Saunier,
historiador parintinense, tornou-se organizado em 1965, pelo Sr. Raimundo Muniz Rodrigues, juntamente com Xisto Pereira, Lucinor Barros e Padre Augusto.  Juntos, eles lançaram bases para o Festival. Nesse ano os bumbás apenas se apresentaram, não havendo disputa. No ano seguinte, no dia 12 de junho, iniciou-se o Primeiro Festival Folclórico, na quadra da Catedral, e ali foram realizados mais oito festivais
.

Mais sobre o Boi-Bumbá: O Ritual Original / Figuras Centrais / Origens / Roupas