Boi-Bumbá 
Os Instrumentos
Os instrumentos antigamente eram bastante simples, de percussão rústica:
palminhas, maracás de lata, 2 caixinhas, 4 zabumbas.
As palminhas, típicas do Boi, são dois pedaços de madeira, batidos um contra o outro
para fazer o ritmo que conduzia os passos da dança.
Atualmente, o a batucada (Garantido) ou Marujada (Caprichoso) do Boi é apoiada por
instrumentos de corda e teclados que acompanham e dão efeito à apresentação da arena.
O uso de teclados, inicialmente um tabu, se mostrou muito importante para a toada na arena
(um exemplo: Mapinguari, do Garantido 97).
O ritmo lento, lembrava o gemido sufocado do negro que padecia no cativeiro sem se
queixar.

Mulheres no Boi: as
"mutucas"
Mulheres no boi! Escândalo na certa. Esta brincadeira era feita por homens.
Porém, em Parintins, as mulheres sempre foram audaciosas, e no Caprichoso as pioneiras
foram Eurica, que dançou debaixo de D. Aurora (boneca de pano) e Camé do Bom
Rapaz, que enfeitava o boi - e, segundo alguns informantes, até dançou como tripa do
Caprichoso.
Foi no Garantido que as primeiras mulheres dançaram no Boi. Segundo informações, foram:
Cilene, filha da Madá; Clezíbia, irmã do Gostoso; Roca, filha da dona Gita, lá da
baixa; Deuza e Maura, filhas do Porquinho de Vergonha.
A partir daí, um cortejo de mulheres passou a acompanhar o boi. Eram esposas, filhas,
namoradas, cunhadas, parentes dos brincates de modo geral e
responsáveis pela água farta e outras atividades dentro do cortejo.
Cantavam, pulavam, dançavam, gritavam quando os desafios eram entoados.
Sabem como ficou conhecido o cortejo de mulheres atrás dos Bois? As mutucas.
Sim, porque segundo Câmara Cascudo e outros estudiosos do assunto, o
Boi-Bumbá é originário de áreas de pecuária onde tem de tudo, até mutucões
(origem do apelido mutucas) que constantemente eram vistos nos lombos dos bois
sugando seu sangue para se alimentar perseguindo-os o dia todo
Promessas
Antigamente, toda pessoa que colocava um boi fazia-o para pagar uma promessa.
No caso do Caprichoso, os irmãos Roque e Antônio Cid que vieram de Crato, Ceará,
fizeram uma promessa para São João Batista. Ao chegarem em Parintins, no início do
século, por volta de 1910, queriam encontrar trabalho e se fossem bem sucedidos,
colocariam um Boi para homenagear o Santo pelos anos de vida que tivessem. Unidos a José
Furtado Belém, criaram o Boi Caprichoso, em 1913.
O Boi Garantido surgiu da promessa feita também a São João Batista, por Lindolfo
Monteverde, pedindo a cura de uma hemorróida crônica. Atendido, criou esta agremiação
em 1919.
Até hoje as estrelas azul e vermelha resplandecem por todos os festivais, eventos
considerados como "Monstros Sagrados do Folclore Amazonense". Em sua
trajetória, de casa em casa até chegar ao Bumbódromo, os Bois-Bumbás conquistaram seu
espaço e hoje estão se tornando conhecidos nos cenários nacional e internacional.
Por muito tempo, os Bois Caprichoso e Garantido brincaram e eram conhecidos apenas na
cidade de Parintins. Com o início do Festival Folclórico de Parintins, em 1965, a
organização e estrutura levou os Bois a serem conhecidos em todo Estado do Amazonas e
posteriormente no Brasil. Hoje (1998), apesar de receber notas modestas em revistas e
telejornais brasileiros, o Festival é conhecido mundialmente.
Mudanças na Estrutura
Muito mudou na estrutura dos Bois-Bumbáis. Dos antigos 30 brincantes de terreiro, hoje
podemos encontrar de 3000 a 3500 em cada agremiação.
O Auto do Boi original foi substituído por volta da década de 70 por motivos da
cultura amazonense, como lendas, mitos, tradições, usos e costumes.
A própria Odinéia Andrade, autora deste texto, participou da reformulação do Boi. Ela
cita a necessidade de se falar mais da Amazônia e de conhecer mais a própria cultura.
Dona Odinéia é professora e, na época, percebia a falta de informação sobre a cultura
da Amazônia, que não era ensinada nas escolas.
Vale dizer, também, que nos idos de 70, apesar de todos os problemas pelos quais passava
o Brasil, o país tinha uma orientação nacionalista. Em termos culturais, se buscava
exaltar o Brasil. Além das toadas do Boi, outras vertentes musicais nos anos 70
demonstram isso.
No início da década de 80, ao invés de donos, os Bois passaram a ser administrados por
uma diretoria constituída pelas figuras de Presidente, Vice Presidente, Tesoureiro e
Secretário.
Com a criação do Festival Folclórico pela JAC (Juventude Alegre Cristã) em 1966,
iniciou-se um novo estágio: é implantado um regulamento e um julgamento, com a
finalidade se sagrar um campeão.
Locais de disputa
O maior Festival Folclórico do gênero no mundo, segundo Tonzinho Saunier,
historiador parintinense, tornou-se organizado em 1965, pelo Sr. Raimundo Muniz Rodrigues,
juntamente com Xisto Pereira, Lucinor Barros e Padre Augusto. Juntos, eles lançaram
bases para o Festival. Nesse ano os bumbás apenas se apresentaram, não havendo disputa.
No ano seguinte, no dia 12 de junho, iniciou-se o Primeiro Festival Folclórico, na quadra
da Catedral, e ali foram realizados mais oito festivais.
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