Boi
Pintadinho
Durante o mês de junho o
catadores de caranguejo de Camocim dividem a árdua tarefa de procurar os crustáceos nos
mangues empobrecidos e ameaçados do rio da Cruz com a alegria menos espinhosa de dançar
o Boi Pintadinho. Um boi branco, de pintas pretas e estrelas na testa, coração aberto em
pano, olhos vidrados de espelho. "Boi bonito o meu boi legal, dá boa noite pro teu
pessoal. É bumba, bumba, meu boi-bumbá".
Os Brincantes se enfileiram em dois cordões: azul e encarnado. Vestem-se de amos e
filhas, vaqueiros e caboclos, vigário, doutores e criados, padres e sargentos.
Personagens que revelam a estrutura da tradicional sociedade sertaneja. Ciclo de couro
nordestino. O pai Francisco e Catitina transgressores do estabelecido, neles estará o
cerne do conflito.
Acompanham também entes míticos e animais: damas e galantes, babao e papangu, burrinha,
caboré, ema, urubu. Batendo maracás, cantando versos, o cortejo convida todos a se
fazerem presentes na matança do boi. Começa a dramatização tradicional. Pai Francisco
mata o boi. O primeiro amo, o dono do boi, ordena aos vaqueiros que o prendam; não
conseguem. É a vez dos caboclos, que depois de batizados pelo padre, prendem pai
Francisco e Catitina. A filha do amo intercede em favor de pai Francisco, pedindo uma
chance. Mas ele terá que ressuscitar o boi. Procura este o auxílio dos doutores, mas é
o curador que consegue ressuscitar o boi e salvar o pai Francisco. A Segunda parte é
matança do Pintadinho. Ninguém consegue laçá-lo. São as meninas, as filhas que laçam
por fim o Pintadinho e ele cai. A banda toca "O Meu Boi Morreu". Brincadeira,
festa, sátira, o Boi Pintadinho é o momento mágico e poético, a ressurreição de faz
de conta da vida de um povo que veste suas cores, sua alegria e renova seus costumes, suas
crenças e peculiaridades, reforçando assim a identidade da comunidade pelas rua de
Camocim. |