Taieira
No passado a Taieira foi apresentada em várias cidade alagoanas,
sergipanas, baianas, observando-se, porém, na atualidade uma sensível redução da sua
área de ocorrência. Em Sergipe, onde sua presença foi registrada desde o século XIX,
nos últimos anos vem sendo regularmente realizado apenas em Laranjeiras, cidade
localizada na zona açucareira, onde uma neta de africanos, recentemente falecida, por
mais de meio século encarregou-se da execução do festejo.
Em Laranjeiras a primeira apresentação é reservada para o dia de São Benedito e Nossa
Senhora do Rosário, festejados na cidade a 6 de Janeiro. Nesse dia, as taieiras, trajadas
de branco e vermelho e enfeitadas de fitas, formam um cortejo em cuja retaguarda seguem as
"Rainhas", reminiscências dos antigos reis do Congo, acompanhadas de
"Ministros" e "Capacetes". Cantando e dançando ao som de um pequeno
tambor percutido por um rapaz, o "Patrão", e de ganzás tocados pelas próprias
dançarinas, encaminham-se para a igreja de São Benedito, passando antes pelo porto onde
vão louvar Iemanjá, a rainha das águas, o que denota um sincretismo afro-católico. No
interior do templo, após a coroação das rainhas efetuada pelo padre, as taieiras
genoflechas entoam seus benditos e a seguir dançam alegremente enquanto ofertam flores
aos santos.
Terminadas suas louvações retiram-se do templo e prosseguem nas casas e nas ruas da
cidade executando "combates", em que ritmicamente batem as varetas que trazem
consigo, e as "meias-luas", movimentos sinuosos executados pelos participantes
que entoam cantos em que o sagrado e o profano se misturam num ato de louvor. |