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MORRO DA NOVA CINTRA 

Bairro situado num vale alto, entre os Morros de Santa Terezinha, Voturá Cutupé, Marapé, São Jorge e Saboó, assim denominado pelo português Luiz Matos que o transformou em vila, residindo no final do Século XIX, num sítio construído junto à Lagoa da Saudade, que está situada a 118 metros de altura.
 
A Lagoa possui brinquedos e quiosques para piqueniques.
 Oferece uma bela vista do município para quem a percorre.

No morro são encontrados rústicos alambiques que produzem cachaça de alta qualidade, disputada por apreciadores e colecionadores.

Também vale a pena visitar as chácaras do morro para apreciar belas espécies de plantas e flores.

 O MORRÃO QUE A CIDADE NÃO BEBE
A quem defenda a tesa de que a cachaça nasceu na Baixada Santista, mais precisa­mente no sopé do Morro da Nova Cintra, antigo caminho de ligação entre as vilas de Santos e de São Vicente. Ali foi levantado o primei­ro engenho de cana-de-açúcar do Brasil, o de São Jorge dos Erasmos. Por certo, foi ali também que se prepa­rou a aguardente de cana, pela primei­ra vez em terras do Novo Mundo. Mas há também os que acreditam que a ca­chaça começou a ser produzida mais tarde, no Nordeste, e há aqueles que acham que os portugueses já a traziam a bordo das naus. Mas ninguém duvi­da há quem a Baixada Santista teve uma cu1tura canavieira muito importante nos primeiros séculos da colonização, com vários engenhos funcionando.
         
A pinga de gosto adocicado e que cheira a canavial - oferecida em goles pelos alambiqueiros da Nova Cintra deu lugar à pinga engarrafada que o Eduardo, um dos alambiqueiros, diz que incha a cabeça e os pés e asna os braços. Mas a pinga não pode faltar nas giras de Umbanda ou de Can­domblé (não há orixá que a rejeite), nas noites frias dedicadas a Iemanjá. Ago­ra, a cachaça industrializada, de rótulo bonito e envelhecida em tonéis de carvalho, vem penetrando nas rodas da elite, embora misturada na tradi­cional carpiria dos domingos.

 
Mário Sotto Mayor - historiador e estudioso da cachaça - diz que as gar­rafas de pinga são excelentes fontes de documentação histórica, pela varieda­de das marcas que lembram fatos ocorridos no Brasil e em outros países, recordam carnavais passados e o folclore da região onde são fabricadas. Também por isso os rótulos são exce­lentes meios de comunicação entre cidade e o Interior (e vice-versa). Eles trazem à cidade nomes e expressões sertanejas e levam      lembranças de fatos importantes.

                  Eis alguns rótulos: Forças Ocul­tas, Apoio 11, Barra Limpa, Legal. Minissaia, Manda Brasa (estes, transfor­madores de hábitos), Recordações de 1940, Chiquita Bacana, Tem Nego Bebo AI, Monte Castelo, Aliada, Vitó­ria, Invasão, Guarani, Iracema, More­na Cor de Canela, Voadora, Poty. Leio do Norte, Tico-Tico, 5x2, Topa Tudo, Saideira, Chora na Rampa, Gato Preto, Leva Eu, Amansa Sogra, Capote de Pobre, Dois Dedos, etc.

          Maior variação, entretanto, têm os sinônimos, conforme os que estão publicados no novo dicionário de Aurélio Buarque de Hollanda: cachaça, a­do-ó, água-benta, água-que-passarinho-não-bebe. arrebenta-peito, bagaceira, baronesa, bicha, birita, branquinha, caiana, cana. canjebrina. capote-de-pobre, desmancha-samba. dona-branca, elixir, engasga-gato, fi­lha-de-senhor-de-engenho, gramática, homeopatia. imaculada, já-começa, jinjibirra, limpa, mamãe-sacode, meu-consolo, morrão, morretiana, óleo, pin­ga, pura. quebra-goela~remédi0. sete-virtudes, suor-de-alambique, tome­juizo, três-martelos, uca. xinapre, zu­ninga e muitos outros.

          O primeiro copo chama-se abri-deira O ultimo, saideira. O primeiro gole é dedicado ao santo (São Marti­nho. Santo Onofre o outros), e, quem paga, é pagão ou cristo.

TRADIÇÃO GARANTE DESTILAÇÃO DE PINGA NO MORRO DA NOVA CINTRA
 

            Conhecida como morrão, a pinga é destilada graças à resistência de quem não deseja ver interrompida a tradição mantida há anos.

         A arte de fabricar pinga ainda resiste no Morro da Nova Cintra. Dos 12 alambiques que abasteciam os comerciantes da cidade alta da década de 70, apenas dois ainda sobrevivem graças à teimo­sia de seus donos. A autêntica branquinha, mais conhecida co­mo morrão, por ser produzida no morro, ainda é feita de forma ar­tesanal, apenas de cana-de-açúcar, sem nenhum produto químico.

         Arilado Gomes Barbos, dono dó Alambique Engenho Leal, na Avenida Santista, 84, defronte do pronto-socorro, garante que só continua produzindo morrão para manter a tradição deixada pelo seu pai, Francisco Gomes de Barros, um português que iniciou o fabrico da pinta no Morro da No­va Cintra em 1915.

         Uma tradição de mais 60 anos também é mantida por Eduardo Francisco, que tem seu alambique na Rua Maria Reis, 91. Ele possui uma imensa plantação de cana pa­ra produzir uma pinga especial que e comercializada somente pa­ra as pessoas que procuram o alambique.

         Tradição - Todo o processo utilizado por seu pai ainda hoje é mantido por Arlindo, com algu­mas excessões. O segredo, escon­dido a sete chaves, fez com que o morrão (Arlindo não utiliza a expressão pinga) do seu engenho seja procurado por pessoas de vá­rios lugares do Brasil.

            Muita paciência - A produção de morrão de qualidade exige um trabalho de paciência que começa com o plantio da ca­na, no início do ano, até sua colheita em julho.

            De agosto até dezembro o pro­duto começa a ser feito. Por dia são produzidos cerca de 40 litros.

            A cana utilizada para o fabrico, é moído em uma moenda, comprada em 1951, na Alemanha. Em 15 minutos, são produzidos 300 litros de garapa que são des­pejados em cochos de madeira. Ali, permanecem durante 48 ho­ras, se estiver calor, ou 72 horas, se estiver frio, até azedar por completo.

          Após essa fase, a garapa é colo­cada em uma caldeira para ser esquentada. “A temperatura da cal­deira tem que estar no ponto ideal, caso contrário, o morrão acaba fi­cando com um gosto insuportá­vel”, afirmou, lembrando que todo esse processo demora em média 5 horas, desde a saída da caldeira até passar por uma serpentina, onde acontecerá destilação.

          Melhor gosto - Todo o pro­duto é acondicionado em bom­bas de vidro e permanece em descanso durante seis meses. “Não se pode tirar do alambique e beber o morrão”, afirmou, observando que o vidro conserva melhor a pureza, ao contrário dos tonéis de madeira que acabam mudando o gosto e até mesmo a coloração do morrão (coar o tempo a bebida fica amarela)

          O melhor morrão é aquele que atinge a graduação 19,5º “Só de pois de muito tempo trabalhando no alambique é que se consegui esse resultado”, observou Arlindo com sua experiência de 52 anos.

ANTIGO ALAMBIQUE AINDA FUNCIONA
                

         Muitos dos santistas que vivem na cidade baixa só vão ao morro para a festa junina no Morro da Nova Cintra ou para visitar o jaca­ré Florentina na Lagoa da Sauda­de. Poucos sabem, por exemplo. que é também no Nova Cintra que ainda existe um dos ú1ltimos alam­biques da Cidade.

         Escondido entre unia plantação canavieira em uma área de cerca de 10 mil m2. Eduardo Francisco herdou o alambique do pai, o português Manoel Francisco. As instalações são rústicas e exatamente as mes­mas que seu pai construiu, na pri­meira metade do século.

       Ele explica que depois de corta­da, a cana é moída e colocada em um barril para fermentação onde fica por 48 horas. Depois, vem a etapa mais longa, quando o produ­to permanece armazenado por mais seis dias, para a depuração.

 

 FESTA JUNINA !

 UMA TRADIÇÃO NO MORRO DA NOVA CINTRA

         Os Festejos Juninos no Morro da Nova Cintra são organizados há mais de 40 anos pela igreja, com apoio da comunidade e da Prefeitura Municipal. O padre Júlio Lopez Liarena coordena a promoção ha 11 anos e diz que este é o primeiro ano que empresas participam efetivamente com dinheiro: “Antes havia doações de alguns produtos; algumas contri­buições. descontos em compras. As barracas tinham que pagar tudo”. . O patrocínio, diz o padre, possibilitou

 uma programação mais varia­da, com atrações especiais.

         A Paróquia de São João Batista participa dos Festejos com duas bar­racas. Paga a taxa pelo espaço ocupa­do. São uma espécie de restaurantes, onde o dinheiro arrecadado é repas­sado para entidades que necessitem de ajuda e pari a própria paroquia. Mas, como organizadora, a Igreja também corre o risco de pagar a con­ta do evento também estão participando da festa com uma barraca, coordenada pelo Grupo Executivo dos Morros (GEM), da Secretaria de Obras e Serviços Públicos,. Lá são distribuí­dos materiais informativos da Secre­taria de Higiene e Saúde (sobre AIDS, cólera, lixo etc.); são forne­cidas informações sobre os morros da cidade; e são vendidos produtos confeccionados por pacientes da Casa de Saúde Anchieta, Casa de Apoio e Solidariedade aos Pacientes de AIDS (CASA), Núcleo de Atenção Psicossocial (NAPS-Zona Noroeste) e por crianças dos centros de convivências (Cecons).