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MORRO
DA NOVA CINTRA Bairro
situado num vale alto, entre os Morros de Santa Terezinha, Voturá Cutupé,
Marapé, São Jorge e Saboó, assim denominado pelo português Luiz Matos
que o transformou em vila, residindo no final do Século XIX, num sítio
construído junto à Lagoa da Saudade, que está
situada a 118 metros de altura. O
MORRÃO QUE A CIDADE NÃO BEBE
Eis alguns rótulos: Forças Ocultas, Apoio 11, Barra Limpa,
Legal. Minissaia, Manda Brasa (estes, transformadores de hábitos),
Recordações de 1940, Chiquita Bacana, Tem Nego Bebo AI, Monte Castelo,
Aliada, Vitória, Invasão, Guarani, Iracema, Morena Cor de Canela,
Voadora, Poty. Leio do Norte, Tico-Tico, 5x2, Topa Tudo, Saideira, Chora
na Rampa, Gato Preto, Leva Eu, Amansa Sogra, Capote de Pobre, Dois Dedos,
etc.
Maior variação, entretanto, têm os sinônimos, conforme os que
estão publicados no novo dicionário de Aurélio Buarque de Hollanda:
cachaça, ado-ó, água-benta, água-que-passarinho-não-bebe.
arrebenta-peito, bagaceira, baronesa, bicha, birita, branquinha, caiana,
cana. canjebrina. capote-de-pobre, desmancha-samba. dona-branca, elixir,
engasga-gato, filha-de-senhor-de-engenho, gramática, homeopatia.
imaculada, já-começa, jinjibirra, limpa, mamãe-sacode, meu-consolo,
morrão, morretiana, óleo, pinga, pura. quebra-goela~remédi0.
sete-virtudes, suor-de-alambique, tomejuizo, três-martelos, uca.
xinapre, zuninga e muitos outros.
O primeiro copo chama-se abri-deira O ultimo, saideira. O
primeiro gole é dedicado ao santo (São Martinho. Santo Onofre o
outros), e, quem paga, é pagão ou cristo.
Conhecida como morrão, a pinga é destilada graças à
resistência de quem não deseja ver interrompida a tradição mantida há
anos.
A arte de fabricar pinga ainda resiste no Morro da Nova Cintra. Dos
12 alambiques que abasteciam os comerciantes da cidade alta da década de
70, apenas dois ainda sobrevivem graças à teimosia de seus donos. A
autêntica branquinha, mais conhecida como morrão, por
ser produzida no morro, ainda é feita de forma artesanal, apenas de
cana-de-açúcar, sem nenhum produto químico.
Arilado Gomes Barbos, dono dó Alambique Engenho Leal, na Avenida
Santista, 84, defronte do pronto-socorro, garante que só continua
produzindo morrão para manter a tradição deixada pelo seu pai,
Francisco Gomes de Barros, um português que iniciou o fabrico da pinta no
Morro da Nova Cintra em 1915.
Uma tradição de mais 60 anos também é mantida por
Eduardo Francisco, que tem seu alambique na Rua Maria Reis, 91. Ele possui
uma imensa plantação de cana para produzir uma pinga especial que e
comercializada somente para as pessoas que procuram o alambique.
Tradição - Todo o processo utilizado por seu pai ainda
hoje é mantido por Arlindo, com algumas excessões. O segredo, escondido
a sete chaves, fez com que o morrão (Arlindo não utiliza a
expressão pinga) do seu engenho seja procurado por pessoas de vários
lugares do Brasil.
Muita paciência - A produção de morrão de
qualidade exige um trabalho de paciência que começa com o plantio da cana,
no início do ano, até sua colheita em julho.
De agosto até dezembro o produto começa a ser feito. Por dia são
produzidos cerca de 40 litros.
A cana utilizada para o fabrico, é moído em uma moenda, comprada
em 1951, na Alemanha. Em 15 minutos, são produzidos 300 litros de
garapa que são despejados em cochos de madeira. Ali, permanecem durante
48 horas, se estiver calor, ou 72 horas, se estiver frio, até azedar
por completo.
Após essa fase, a garapa é colocada em uma caldeira para ser
esquentada. “A temperatura da caldeira tem que estar no ponto ideal,
caso contrário, o morrão acaba ficando com um gosto insuportável”,
afirmou, lembrando que todo esse processo demora em média 5 horas, desde
a saída da caldeira até passar por uma serpentina, onde acontecerá
destilação.
Melhor gosto - Todo o produto é acondicionado em bombas
de vidro e permanece em descanso durante seis meses. “Não se pode tirar
do alambique e beber o morrão”, afirmou, observando que o vidro
conserva melhor a pureza, ao contrário dos tonéis de madeira que acabam
mudando o gosto e até mesmo a coloração do morrão (coar o tempo
a bebida fica amarela)
O melhor morrão é aquele que atinge a graduação 19,5º
“Só de pois de muito tempo trabalhando no alambique é que se consegui
esse resultado”, observou Arlindo com sua experiência de 52 anos.
Muitos dos santistas que vivem na cidade baixa só vão ao morro
para a festa junina no Morro da Nova Cintra ou para visitar o jacaré
Florentina na Lagoa da Saudade. Poucos sabem, por exemplo. que é
também no Nova Cintra que ainda existe um dos ú1ltimos alambiques da
Cidade.
Escondido entre unia plantação canavieira em uma área de cerca
de 10 mil m2. Eduardo Francisco herdou o alambique do pai, o português
Manoel Francisco. As instalações são rústicas e exatamente as mesmas
que seu pai construiu, na primeira metade do século.
Ele explica que depois de cortada, a cana é moída e colocada em
um barril para fermentação onde fica por 48 horas. Depois, vem a etapa
mais longa, quando o produto permanece armazenado por mais seis dias,
para a depuração. FESTA
JUNINA ! UMA
TRADIÇÃO NO MORRO DA NOVA CINTRA
Os Festejos Juninos no Morro da Nova Cintra são organizados há
mais de 40 anos pela igreja, com apoio da comunidade e da Prefeitura
Municipal. O padre Júlio Lopez Liarena coordena a promoção ha 11 anos e
diz que este é o primeiro ano que empresas participam efetivamente com
dinheiro: “Antes havia doações de alguns produtos; algumas contribuições.
descontos em compras. As barracas tinham que pagar tudo”. . O patrocínio,
diz o padre, possibilitou uma
programação mais variada, com atrações especiais.
A Paróquia de São João Batista participa dos Festejos com duas
barracas. Paga a taxa pelo espaço ocupado. São uma espécie de
restaurantes, onde o dinheiro arrecadado é repassado para entidades que
necessitem de ajuda e pari a própria paroquia. Mas, como organizadora, a
Igreja também corre o risco de pagar a conta do evento também estão
participando da festa com uma barraca, coordenada pelo Grupo Executivo dos
Morros (GEM), da Secretaria de Obras e Serviços Públicos,. Lá são
distribuídos materiais informativos da Secretaria de Higiene e Saúde
(sobre AIDS, cólera, lixo etc.); são fornecidas informações sobre os
morros da cidade; e são vendidos produtos confeccionados por pacientes da
Casa de Saúde Anchieta, Casa de Apoio e Solidariedade aos Pacientes de
AIDS (CASA), Núcleo de Atenção Psicossocial (NAPS-Zona Noroeste) e por
crianças dos centros de convivências (Cecons). |