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Um dos mais antigos mitos de nossa terra.
Ser que reside nas fontes ou no fundo das águas, meio homem, meio peixe, meio animal,
inimigo dos pescadores, dos garimpeiros e de todos os que tiram proveito das águas, mesmo
as lavadeiras.
Entre vários relatos antigos, inclusive de Anchieta e Frei Vicente do Salvador, o mais
completo é do jesuita Fernão Cardim, que diz: "parecem-se com homens propriamente,
de boa estatura, mas têm os olhos muito encovados. As fêmeas parecem mulheres, têm
cabelos compridos, e são formosas".
"O modo que têm para matar é: abraçam-se com a pessoa, tão fortemente, beijando-a
e apertando-a consigo, que a deixam feita toda em pedaços (...)".
O Ipupiara brasileiro não tem nada a ver com os seres da água europeus como sereias;
não há cantos melodiosos, palácios de cristal no fundo da água, encantadoras primessas
de amor ou outro chamariz qualquer. O Ipupiara era, segundo os cronistas "bestial,
faminto, repugnante, de ferocidade primitiva e brutal". |