LENDA
DO PONTAL DA CRUZ
Em
São Sebastião morava um velho pescador numa casinha de tábuas, rodeada de
coqueiros, de cajueiros e de laranjeiras. A moradia se enchia de perfume quando
estas floriam e todas as manhãs de música quando o sábia cantava saudando o
nascer do sol. Porém a alegria maior morava no seu coração era a única
filha, moça prendada e de uma beleza ímpar.
Um
moço de Ilha Bela um dia se enamorou e todas as tardes, na sua canoa,
atravessava o canal para vê-la trocar juras de amor.
Certo dia, um moço, filho de um médico que o Imperador designara para trabalhar naquele porto, vem passar suas férias escolares e se enamorou da filha do pescador. Esta correspondeu ao moço romântico, bem trajado que a pediu em casamento, antes de voltar para a Côrte.
O
choque de sentimentos, o fato de abandonar o primeiro namorado, levou-a ao
definhamento. O seu antigo pretendente, que todas as tardes vinha vê-la,
prontificou-se sacrificar-se para amainar aqueles sentimentos tempestuosos e
desencontrados que estavam originando o aniquilamento progressivo de sua amada.
Numa
tarde, depois de despedir-se da jovem, deixou sua embarcação ao sabor das
ondas. E a canoa virou...O corpo do moço relegado foi noutro dia encontrado
sobre as pedras da ponta. Ali erguiam uma cruz tôsca de pedra.
A
moça morreu de saudades.
Hoje, de longe, se avista ao lado da cruz, dois pés de abricó entrelaçados que fazem recordar os que morreram de amor e saudade.