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ONG santista representará o Brasil em Paris

 

Segundo o Aurélio, utopia é um país imaginário, em que tudo está organizado da melhor maneira; um plano teórico que não pode ser realizado; projeto irrealizável; fantasia; delírio; quimera; lugar que não existe. Porém, na 476 da Rodrigues Alves, sonho e realidade se confundem em nome da ong ABrasOFFA (Associação Brasileira dos Organizadores de Festivais de Folclore e Artes Populares).

            Ali, jovens de 20, 40, 60 e 80 anos se misturam em prol de uma das utopias mais desejadas nos dias atuais: a paz mundial. Através da divulgação da cultura popular e da arte folclórica, a ONG realiza eventos de alcance internacional. Um deles, a Rede de Jovens Voluntários pela Cultura da Paz, vem chamando a atenção da UNESCO. Prova disso foi o convite para o Salão Internacional para Iniciativas da Paz, realizado este ano em Paris, sendo a única entidade brasileira a representar nosso país. Neste Salão serão apresentadas propostas ligadas à cultura da Não-Violência e da Paz, com temas como a justiça, conflitos, defesa dos direitos humanos, igualdade entre homens e mulheres entre outros.

            No projeto Rede de Jovens Voluntários pela Cultura da Paz são utilizados programas como o Orkut, MSN e Skype para troca de informações sobre a cultura e o costume de cada país, transformando o trabalho num imenso banco de dados. “A idéia é aproveitar o tempo em que a garotada passa em frente ao computador numa atividade útil e não só de bagunça”, explica a presidente da ONG, Helena Lourenço. (utopia?)

Com a iniciativa, crianças e jovens poderão se utilizar dessa ferramenta para trabalhos escolares e outras pesquisas de interesse cultural. “Cada vez mais, temos a participação de pessoas ao redor do mundo. Isso é gratificante não só pelo enriquecimento cultural, mas pela integração entre os povos”, analisa.

Conhecer povos é sinônimo de aprender idiomas. Herbert Santo de Lima, um dos voluntários que embarcam para a França, convive bem com essa tese. “A primeira viagem que fiz pela ABrasOFFA foi à Argentina, onde fizemos uma palestra para o público. Vim a estudar o espanhol por causa da ong e foi excelente”, sentencia. A ONG tem servido para Lima como uma escola assim como a certeza de que guerras são feitas por um punhado de seres humanos. “Às vezes, convidamos povos em guerra e quando chegam aqui são todos amigos. Percebemos que o que ocorre lá fora são fatos isolados, não são comum a todos. A receptividade lá fora também é muito boa”, diz (utopia?).

Utopia maior seria se a ABrasOFFa e tantas outras ONGs dispusesse de incentivo e ajuda por parte do governo e dos empresários. “Temos uma relação ótima com os meios de comunicação que sempre nos ajudam e nos apóiam. Porém, é difícil conseguir apoio de quem possa nos ajudar financeiramente”, desabafa.

            Das terras santistas para o resto do mundo, de 1992 até os dias atuais, cinco prêmios internacionais reconhecidos pela UNESCO, mais de dez projetos em andamento e uma voluntária de 82 anos, tradutora oficial de Inglês, Espanhol, Francês e Italiano. Essa é a realidade. “That is the reality”. “Ésa es la realidad”. “C'est la réalité”. “Quella è la relata”.

            Integrando a equipe há 11 anos, Maria Tereza Amaral Reipert, que também embarca para a “Cidade das Luzes”, diz o porquê desse trabalho. “Tenho uma predileção por conhecer povos, me enriquece culturalmente. A ONG é uma das principais razões da minha vida”, confidencia.

            Motivos para um elevado entusiasmo não faltam. “A França é um expoente cultural. O que dizer do Museu de Louvre, de Paris, da Torre Eiffel?”, evoca.

            Um dos sonhos de Tereza é manter a Paz entre os povos. Pode ser que na França seja o começo. Afinal, quando ela define paz, relembra de um dos ideais mais utópicos que o planeta presenciou. Com vocês, Maria Tereza Amaral Reipert. “O que é paz ? É ser eu mais eu (liberdade). É saber que os que estão a minha volta estão iguais a mim (igualdade)”, finaliza. E a Fraternidade? Releia o texto.

 

 

ABrasOFFA

 

Comitê Nacional